Skinhead (em
inglês:
Cabeça raspada) é uma
subcultura originária dos jovens da
classe operária no
Reino Unido no final dos
anos 60, e mais tarde espalhada para o resto do mundo. Chamados desta forma devido ao corte de cabelo, os primeiros skinheads se originaram dos
mods britânicos, e foram fortemente influenciados pelos
rude boys jamaicanos que imigraram para a Inglaterra nessa época, em termos de moda, música e estilo de vida.
A subcultura skinhead era originalmente baseada nestes elementos, e não na
política nem em questões
raciais. No final dos
anos 70, entretanto, a raça e a política viraram fatores determinantes, gerando divergências e divisões entre os skinheads. O espectro político dentro da cena skinhead abange da
extrema-direita a
extrema-esquerda, apesar de que muitos skinheads sejam
apolíticos.
Histórico
Início
Derivada da cultura
mod, as primeiras manifestações desta cultura ocorreram por volta de
1967, alcançando o seu primeiro auge em
1969. Este período é chamado nostalgicamente pelos próprios skinheads como "espírito de 69" (ou "spirit of 69", termo cunhado na década de 1980 pela gangue
Spy Kids). Eram majoritariamente formados por brancos e negros (estes últimos em sua maioria
imigrantes jamaicanos) que frequentavam juntos clubes de
soul e
reggae, andavam em gangues e se vestiam de uma forma muito particular, em especial pelo corte de cabelo muito curto (daí o nome
skinhead, que traduz-se grosseiramente como "cabeça pelada").
Os skinheads ganharam notoriedade nos jornais e na cultura popular da época por muitos deles promoverem confrontos nos estádios de futebol (o chamado
hooliganismo) e alguns deles participarem de agressões contra imigrantes
paquistaneses e
asiáticos, influenciados por manchetes xenófobas de jornais sensacionalistas ingleses. No entanto, muitas das gangues xenófobas anti-asiáticos detestavam os grupos
neonazistas e repudiavam o
racismo contra negros, como foi o caso da gangue da década de 1970,
Tilbury Skins, fundadora da Liga Anti-Paquistaneses e no entanto um grupo anti-nazista. Numa entrevista do livro
Skinhead Nation, Mick, membro de uma das gangues skinheads
Trojan, diz:
 | Não há como sermos nazistas. Meu pai enfrentou nazistas na guerra. Todos nossos pais ajudaram. APL (Anti-Paki League, ou, Liga Anti-Paquistaneses) é específica. Só porque eu odeio paquistaneses, isso não me torna um nazista! | 
—Mick
|
Segunda geração
No final da
década de 1970 houve uma "segunda geração" skinhead, chamados de bootboys, skinhead oi!, punk oi! ou simplesmente skinhead (chamados pela imprensa inglesa da época de
grupos de anfetamina ou skinheads), decorrente da agitação provocada pela
cultura punk e que acabou desencadeando um grande interesse por outros movimentos juvenis do passado, como os
mods,
teddy boys e skinheads. A geração anterior ("espírito de 69") tinha como uma de suas características a ligação com a música jamaicana, principalmente o reggae, o rocksteady e o ska.
Com o surgimento da "revolução musical" do
punk rock e sua ética de
faça-você-mesmo, muitos skinheads se agregaram ao emergente
streetpunk/
oi!, que abrange tanto os aspectos musicais quanto culturais. Isso no entanto não significou o abandono do reggae e do ska. Nessa mesma época, muitos skinheads tornam-se grandes adeptos do revival do ska chamado
Two Tone ("dois tons", em referência às cores preta e branca — simbolizando a união de raças).
Fragmentação
A partir da década de 1980, a constante pressão da mídia sensacionalista inglesa acerca da infiltração do preconceito racial dentro da cultura skinhead (infiltração promovida por uma política deliberada do partido de extrema-direita National Front), somada ao surgimento de um engajamento político dentro desta cultura (tanto à esquerda quanto à direita, além do anarquismo) resultou na fragmentação em vários submovimentos rivais. Desde então, constantemente estes grupos não reconhecem uns aos outros como verdadeiros representantes da cultura skinhead, e é comum que cheguem a se enfrentar fisicamente.
Entre os principais atritos estão as divergências explícitas como entre
esquerdistas e
direitistas, racistas e não-racistas, politizados e apolíticos. Mas também há grande hostilidade entre um grupo de divergência sutil como os nazistas, conservadores
xenófobos e defensores de uma supremacia racial branca,
anti-semitas e neonazistas.
Características
A cultura skinhead da
década de 1960 era formada maioritariamente por jovens da
classe operária britânica. O vestuário skinhead, com
botas e
suspensórios, reflete em certa medida a indumentária operária da
Inglaterra desta época. Existem diversas particularidades culturais e ideológicas que definem diferentes tipos de skinheads, é impossível distingui-los pela avaliação visual um skinhead de direita, tradicional, SHARP ou RASH.
Grupos de skinheads políticos e apolíticos
Skinhead trojan
-
Devido à sua apreciação da música tocada por negros, eles tendem a não serem racistas ou mesmo anti-racista, estando associada a grupos como o SHARP (
Skinheads Against Racial Prejudice) contrário dos
skinheads white powers (uma facção que se desenvolveu no final dos
anos 70, com a ajuda do
British National Front (Frente Nacional Britânica,
NF).
[4][5] Os skinheads trojan geralmente se vestem num estilo skinhead típico dos
anos 60, que inclui itens como: camisas button-down
Ben Sherman, camisas polo
Fred Perry, cintas,
ternosequipados, pulôveres, blusas sem mangas, jaquetas Harrington e casacos Crombie.
[6] O cabelo é geralmente raspado entre 2 e 4
centímetros (curto, mas não careca), em contraste com os cabelos curtos dos
punks influenciados pelos Oi! skins dos
anos 80.
The Spirit of '69 é a frase usada por skinheads tradicionais, para comemorar o que eles identificam como auge da subcultura skinhead de
1969. A frase foi popularizada por um grupo de skinheads
escocêses Glasgow Spy Kids.
[4] Após ser usado no título do livro que conta a história dos skinhead,
Spirit of 69: A Skinhead Bible, levou os skinheads a adotá-la em todo o mundo. O livro foi publicado no início de
1990 pelo autor
George Marshall, um skinhead de
Glasgow.
[5] No
documentário Spirit of '69: A Skinhead Bible de Marshall mostra as origens e o desenvolvimento da subcultura skinhead, descrevendo os elementos, tais como música, vestuário e política na tentativa de refutar muitas percepções populares sobre skinheads, como a mais comum que diz que todos eles são racistas.
Típicas mulheres skinheads
Durante a primeira metade da
década de 70, o movimento skinhead estava em declínio. É com o nascimento do
punk 77 e o declínio da
música jamaicana que o skinhead volta à vida, trazendo de volta em voga, no entanto um culto diferente do original, agora com a nova música classificada como
Oi! uma espécie de
punk rock ruaceiro da classe proletária. Enquanto o vestuário foram os traços do skinhead "trabalhador":
botas,
suspensórios, camisas xadrez, jaqueta, cabeça raspada e calças
jeans. Na
década de 80, alguns skinheads tentaram retornar às antigas raízes do movimento, influenciado pela cultura
mod e os
rude boys jamaicanos e a maioria sem influências da
política, em oposição à nova geração de skinheads que tinham abandonado as raízes dos
anos 60 e apoiado a música punk que ia surgindo, muitas vezes proclamando
ativistas políticos. Daí o termo skinheads trojan é atribuído também para aqueles indivíduos que posteriormente preservam a cultura original e não apenas ao movimento original sessentista.
Foi precisamente por causa destes ocorridos, que nasceu em
Nova York, em torno de meados dos anos oitenta, a organização SHARP (
Skinheads Against Racial Prejudice), com a intenção de restaurar as antigas raízes, identificando-se como apolíticos e reagrupamento skinheads com diferentes pontos de vista políticos, mas só anti-racistas, em oposição ao racismo e aos
skins neo-nazistas. A organização foi mais tarde também exportada para a
Europa, graças a
Roddy Moreno, líder do
Oppressed.
Esta organização optou por se identificar com o logotipo de capacete
troiano, que pertencia à mesma gravadora
Trojan Records (selo inglês de
música negra que se caracterizou no primeiro movimento skinhead politizado), desejando assim simbolizar a ligação entre a organização e não de idade, as origens político e anti-racista dos
anos sessenta e parte dos
anos setenta. Também por esta razão, eles decidiram mudar o nome "skinhead tradicional" para "skinhead trojan".
Suedehead
-
Suedehead ou
sued foi uma tendência skinhead surgida entre
1970 e
1973.
[7] Assim como os suedeheads havia outros grupos que também tiveram uma curta existência como os
smoothies, os
crombie boys entre outros.
Os suedeheads é outra dessas tendências, formada por skinheads freqüentadores das festas de
ska,
reggae,
rocksteady e
northern soulque lotavam as entradas dos clubes e bailes, e como 1969 ainda era recente, havia uma enorme influência do universo
mod, tanto no seu lado musical, visual e no seu estilo de vida.
[7]
O estilo de vida dos suedeheads tinha um certo sentido
revival, mais de maneira bem mais moderna que ajudou a fundar costumes no meio skinhead. Assim como os mods, eles cultuavam
scooters Lambretta e
Vespa, gostavam de cultuar a imagem, estavam sempre arrumados, alinhados, botas e sapatos bem polidos. Também estavam sempre em festas, envolvidos na vida noturna.
[7]
Os suedeheads foram responsaveis por popularizar muitas das marcas de roupas conhecidas hoje em dia como marcas tradicionais da cultura skinhead. Enquanto os bootboys saquavam lojas e usavam roupas como Lonsdale, Warriors e Adidas, os suedeheads usavam camisas polos
Fred Perry,
Ben Sherman, roupas e acessorios da
Merc, sueters sem manga, sobre-tudo alinhado. Com a popularização do reggae na Inglaterra em 1970, os suedeheads viram um sinal de que sua cultura podia continuar moderna e viva nas festas de ska/reggae.
[7]
A gravadora
Trojan Records que foi uma das responsaveis pela difusão e propaganda do reggae na Inglaterra, chegou a lançar em
1971 um box com 50 músicas em homenagem aos suedeheads londrinos. A box mostra faces do ska/reggae mais moderno, como
Lee Perry(
"Jungle Lion" e
"Black Ipa") e
Toots & the Maytals (
"Louie Louie").
[7]
Redskin
-
Redskin no contexto da subcultura skinhead, é um skinhead esquerdista
comunista ou
socialista. Este movimento surgiu em oposição ao movimento
bonehead que estava se desenvolvendo no mesmo período.
O termo é uma combinação da palavra
red (uma gíria usada para socialista ou comunista) com a da palavra
skin que é um termo curto usado para skinhead. Os redskins tomam uma posição
anti-fascista e
militante (por vezes revolucionários) da classe pró-trabalhadorada. A mais bem conhecida organização associada aos redskins é a
Red and Anarchist Skinheads (R.A.S.H.). Outros grupos que tem membros redskins incluem a Anti-Fascist Action (AFA), Red Action e a
Red Skinheads Against Racial Prejudice (S.H.A.R.P.) (embora não tenham uma ideologia oficial de esquerda). Bandas redskins associadas incluem:
The Redskins,
Angelic Upstarts, Blaggers I.T.A., Skin Deep,
Kortatu, Skalariak, Banda Bassotti, The Burial, Negu Gorriak, Núcleo Terco, Brigada Flores Magon, Inadaptats, Opció k-95, Los Fastidios e The Press . Uma gravadora associada com a subcultura é a
Insurgence Records.
Cintas vermelhas e laços às vezes são usados pelos redskins para indicar suas tendências de esquerda, embora em algumas áreas geográficas este itens são usados para indicar as convicções da
extrema direita. Alguns redskins têm cabelos curtos raspados mais atrás e dos lados, deixando-os mais evidendes no centro da cabeça, por oposição ao tradicional de toda cultura, enquanto os nazi skins costumam raspa-lo totalmente. Este estilo era usado por vários membros redskins, embora fosse mais popular entre os redskins
franceses no final dos anos oitenta. O que também era popular entre os redskins franceses foi o hábito de virar as jaquetas do averso, para que o forro laranja de suas jaquetas fossem mostrados e os diferenciassem especialmente durante os confrontos freqüentes com os boneheads. Símbolos e slogans esquerdistas são geralmente usado em adesivos, buttons e camisetas.
S.H.A.R.P
-
Símbolo da Skinheads Against Racial Prejudice (SHARP)
S.H.A.R.P (abreviatura de
Skinheads Against Racial Prejudice, em
português:
skinheads contra o preconceito racial) é uma organização anti-racista que não está envolvida com partidos e organizações políticas, formada por skinheads.
Em 1986, um grupo de Minneapolis chamado
Skinheads Against Racism (skinheads contra o racismo) deu origem ao projeto
Anti-Racist Action (ação anti-racista) para congregar skinheads na luta contra o
racismo e a
xenofobia.
[8]
Inspirados na idéia, um grupo de skinheads de Nova Iorque fundou a organização SHARP, organizada em sedes regionais.
[8] Embalados pelo
hardcore punk americano, tinham mais um sentido de
unidade do que de
revival da cultura skinhead, bandas como
Iron Cross e
Agnostic Front foram influência e conseqüência de sua formação, inclusive esteticamente. Notou-se também a influência do
hardcore punk e a presença de
Straight Edges na SHARP, assim dando origem ao
skin edge.
Os SHARPs são patriotas, pregam a distância da cultura skinhead dos partidos e organizações políticas, sejam elas de direita ou de esquerda e pregam uma atitude positivamente anti-racista, num argumento de lógica, já que sem o
ska e os
rude boysjamaicanos, o skinhead nem existiria.
[8]. Estão mais voltados para o lado de seu convívio social no dia-a-dia, que inclui não somente estereótipos como punk ou skinhead, mas também uma unidade social e urbana.
Essas posições têm o objectivo de diferenciar skinheads não-racistas que sempre foram a maioria, de skinheads racistas (conhecidos como
boneheads), evitando assim a generalização da cultura skinhead como racista. Outros objectivos são
"informar a opinião pública sobre a verdadeira cultura skinhead, desmascarar os impostores boneheads e expulsá-los dos bairros por todos os meios necessários".
Roddy Moreno, vocalista da banda
galesa The Oppressed, conheceu a idéia ao visitar Nova Iorque em
1988 divulgando-a e incentivando a criação de secções na Europa.
Devido a posição da SHARP de se distanciar de políticas de esquerda, em 1993 ocorreu uma divisão que deu origem aos
RASH (Red and Anarchist Skinheads).
Atualmente a SHARP é mais uma designação pessoal de uma atitude anti-racista, existem pessoas que se afirmam SHARPs sem serem filiados a uma secção. No Brasil, apesar de não existirem secções reconhecidas muitos indivíduos se dizem SHARPs.
[8] Em Portugal, a SHARP tem uma secção desde
1995.
R.A.S.H.
-
R.A.S.H (abreviação de
Red and Anarchist Skinheads, em
português:
skinheads comunistas e anarquistas) são
skinheads ligados ao
anarquismo ou ao
comunismo. Se posicionam abertamente contra o
fascismo, o
neonazismo e todo tipo de preconceito como o
racismo e a
homofobia.
[9] Alguns membros da RASH fundaram torcidas organizadas como as
Ultras Contra o Racismo em Portugal, como uma forma de se posicionar contra o racismo e o neonazismo presente nas torcidas organizadas de futebol. Os RASHs fazem campanhas e organização de concertos. Eles também atacam skinheads de extrema-direita (os
boneheads) tentando expulsá-los das ruas. Sua luta atinge as principais causas da justiça e da luta global contra o
capitalismo.
Símbolo do Red and Anarchist Skinheads (RASH)
Foi fundada em
Nova York nos
Estados Unidos em
1993,
[9] e em
Montreal e
Quebeque em
1994. Apareceu pela primeira vez na
França em
Le Havre antes de se espalhar para as cidades de
Marselha e
Bordeaux e no resto do país. A
R.A.S.H. é de um grupo relativamente recente do final dos
anos 90 de
redskinscomunistas e skinhead da nova geração influenciados pelo
anarquismo. Os skinheads estão comprometidos com a extrema-esquerda, ou mesmo o que os cientistas políticos chamam de ultra-esquerda (discurso revolucionário) ou grupos de autonômos, isto é, não vinculados a grandes partidos políticos. O termo "red", que remete para o comunismo, que literalmente significa "vermelho" e "redskins" pode parecer em desacordo com o "anarquista".
O
anarquismo é, estritamente falando, uma doutrina libertária socialista (baseado no ideal de liberdade), que tende a criar uma sociedade sem um estado ou propriedade privada (veja os escritos de
Proudhon,
Bakunin,
Kropotkin...). O comunismo é outra doutrina socialista, construído principalmente por
Karl Marx, que observou uma luta de classes que existe entre a
burguesia, por um lado e do
proletariado, por outro. Ele defende a tomada do poder pelo Partido Comunista em nome do proletariado, para estabelecer a aquisição por parte do proletariado, o único esquema considerados aptos a realizar as reformas que levariam a uma sociedade ideal, sem um estado ou propriedade privada. Em resumo, podemos dizer que os comunistas e anarquistas tendem para o mesmo ideal, mas estão divididos sobre como chegar lá.
Os RASHs são animados pela convicção de que os skinheads são um movimento juvenil verdadeiramente proletário e internacional. Composição do movimento skinhead é um complemento lógico à política ou sindical. Os RASHs franceses são próximos das seguintes organizações: a CNT (Confederação Nacional do Trabalho, sindicalista revolucionária), FA (Federação Anarquista), l'UA (União anarquista), l'OCL (Organização Comunista Libertária) e LCR (Liga Comunista Revolucionária, um partido trotskista), SCALP. Outro exemplo é a internacional Anarchist Black Cross (organização anarquista revolucionária) ou Internacional Socialismo (movimento trotskistas anglo-saxónica).
F.A.S.H.
-
F.A.S.H (abreviação de
Federación Anarco Skinhead, em
português:
Federação Anarquista de Skinhead) é uma federação criada entre o fim de
2002 e início de
2003 em
Madrid na
Espanha formada em sua maioria por skinheads
[10][11] e também por pessoas ligadas ao movimento, diferenciando-se da
R.A.S.H. e
S.H.A.R.P. por possuir membros exclusivamente anarquistas.
[11] Teve início através de debates entre skinheads
antifascistas e
anarco-punks, o intuito era expandi-lá para o resto do país e também para outras partes do mundo, seus objetivos são coletivos e permitem que novos indivíduos forneçam novas ideias. Acreditam que com luta combateram a manipulação do movimento skinhead feita pela mídia burguesa.
[10] A
F.A.S.H. Zona Norte, surgiu para organizar e estabelecer vínculos com indivíduos e grupos, eles tem uma visão comum da vida que é a luta para que skinheads e anarquistas cresçam o mais rapidamente possível, mudar o mundo em que eles vivem e transformar suas próprias vidas.
[12]
Carecas
-
-
Carecas do Brasil
A proposta original era um retorno às origens do movimento punk paulista, aliada à uma ideologia baseada na
violência e no
vandalismo, no
patriotismo, no anti-
racismo, no anti-
militarismo, contra os
políticos e seus partidos, contra a
polícia, contra a
igreja. Com o passar do tempo, foram se desvinculando dessa proposta original e adquiriram um caráter
conservador, que levou a se posicionar e promover ações contra
esquerdistas, diferentes
tribos urbanas (em especial àquelas ligadas ao pensamento de esquerda),
drogados e
homossexuais. Facções ligadas a
neonazistas também agridem, em alguns casos,
judeus,
prostitutas, e outras minorias.
As principais gangues e a maioria dos indivíduos são anti-racistas uma vez que defendem a tese de que a identidade e raça original da população brasileira é a miscigenação de todas as raças, mas existem carecas indiferentes ou simpatizantes de ideais nazi-fascistas e racistas, em especial na região Sul e Sudeste do país, onde há um movimento de independência de caráter muitas vezes branco-separatista.
Atualmente, sua postura ideológica é fundamentada, numa mistura de
nacionalismo,
homofobia, anti-
racismo, anti-
comunismo, anti-
anarquismo e anti-
drogados. Sua postura ideológica é confusa e cheia de
contradições. Embora assumam uma postura anti-racista, além de bandas do estilo musical
punk oi! (não envolvidas com ideologias racistas), ouvem bandas internacionais ligadas a ideologia
white power, cujo estilo musical é denominado de
RAC (envolvidas em países europeus e norte-americanos com ideologias racistas) e as bandas de carecas brasileiros se auto-rotulam dentro desse estilo. Sua postura anti-drogados entra em contradição com o problema do
alcoolismodentro do movimento careca.
As gangues
paulistas Carecas do Subúrbio e sua dissidência,
Carecas do ABC, se tornaram famosas na cultura popular devido a episódios de violência amplamente divulgados pela mídia.
Alguns integrantes dos Carecas do Subúrbio nas comemorações de
1 de maio de
1988, unidos a membros da extinta
Ação Integralista Brasileira e do
Movimento Participativo Nacionalista Social, além de mais três entidades políticas de extrema-direita, entraram em confronto com manifestantes da organização sindicalista de esquerda
CUT. Isso gerou divergências dentro do movimento careca na época, pois alguns não queriam a entrada de ideologias associadas à movimentos políticos dentro do movimento careca e nem serem usados como massa de manobra por esses movimentos. Ainda no final dos anos 80, esse e outros episódios provocaram a fragmentação do movimento careca em várias facções devido à divergências ideológicas.
Em
6 de Fevereiro de
2000, o adestrador de cães e homossexual
Edson Néris da Silva foi espancado até a morte por membros da gangue Carecas do ABC, a policia apurou o envolvimento de 18 indivíduos, por estar andando de mãos dadas com seu companheiro, Dário Pereira Netto, que conseguiu fugir.
Em
7 de Dezembro de
2003 os Carecas do ABC se tornam novamente notícia quando três de seus membros, no caminho de volta de uma reunião da gangue, ameaçaram com armas brancas dois adolescentes (Cleiton da Silva Leite, 20 anos, e Flávio Augusto Nascimento Cordeiro, 16 anos, motivados pelas camisetas com estampa de bandas de
punk rock), e os forçaram a pularem pela janela do trem em movimento em que estavam, resultando na morte de Cleiton e no amputamento do braço direito de Flávio.
Grupos de skinheads neo-nazistas
[editar]White powers/Boneheads
-
Skinhead white power (também conhecido como
nazi-skin,
skin 88,
skinhead nazista ou ainda,
bonehead que é uma denominação pejorativa utilizada pela maioria dos
skinheads não-racistas, que significa algo como "cabeça dura" ou "parvo" na gíria
inglesa) é uma ramificação da cultura skinhead que possui individuos anti-semitas da
supremacia branca.
[13][14] Muitos deles são filiados com organizações do nacionalismo branco. Eles são conhecidos por seus ataques, especialmente contra imigrantes paquistaneses (
paki bashing o "linchamento de paquistaneses"), contra
hippies e contra militantes ativistas de extrema-esquerda (comunistas em particular). A radicalização de alguns skinheads de extrema-direita foi iniciada pelo desvio da banda
inglesa Skrewdriver, que inicialmente era uma banda de
street-punk apolítica. A
British National Front foi responsável na transformação de parte do movimento skinhead neo-nazista nos
anos 70 e 80.
Hammerskins
-
O foco principal dos hammerskins é a produção e divulgação da música do poder branco que é mais conhecida como
Rock Against Communism e muitas bandas de white power são afiliados com eles. Os Hammerskins são afiliados com a gravadora
9% Productions. Eles idealizam aqueles que consideram guerreiros históricos para a
raça ariana, como os
vikings e
nazistas. Muitos de seus membros foram condenados por assédio, assaltos e assassinatos de pessoas não-brancas.
[15]
Os Hammerskins são considerados nos
Estados Unidos como o grupo mais conhecido e organizado de skinheads racistas. A luta pelo poder acabam dividindo o grupo em várias facções, alguns dos quais estão agora defuntos
[16], mas os membros reorganizam e fortalecem a organização. Os Hammerskins também têm torcidas organizadas e a maioria dessas nações são conhecidas como
Crew 38. O
Hammerskins host several e vários outros concertos anuais, incluindo
Hammerfest, um evento anual, tanto nos Estados Unidos como na
Europa caíram em homenagem a
Hammerskin Joe Rowan, vocalista da banda
Nordic Thunder.
O logotipo dos Hammerskins é representados por dois martelos atravessados um no outro, assemelhando-se ao passo de soldados, é baseado em uma organização
neo-nazi fictícia retratada no filme "
Pink Floyd The Wall" de
1982. No entanto, o retrato do grupo fictício do filme foi a intenção de mostrar o nazismo negativamente. O logotipo dos Hammerskins e seu lema "
Hammerskins Forever, Forever Hammerskins" (HFFH) frequentemente aparecem em seus apetrechos e
tatuagens.
Carecas de Portugal
Um caso de violência ligado aos carecas portugueses, é o assassinato de Alcíndo Monteiro, em Agosto de
1995, no
Bairro Alto, em
Lisboa, apenas por ser negro.
Simbologia dos skinheads neonazistas
| Principais símbolos | Descrição |
|
|
- 1. Cruz celta: Embora a cruz celta não seja um símbolo explicitamente racista, ela é muitas vezes usada por pessoas do movimento white power, especialmente osboneheads, e também frequentemente utilizada por outros grupos racistas.[17]
- 2. Odin's Rune: É o símbolo de uma religião pagã chamada Odinismo. Nem a religião nem o símbolo é racista, mas ambos foram cooptados por certos sectores da extrema direita.[17]
- 3. Símbolo da White Power: Este símbolo pode ser frequentemente reconhecido como um patch usado em coletes ou jaquetas de skinheads racistas.[17]
- 4. Cruz de Ferro (Iron Cross): Assim como a cruz celta, esse é um símbolo que não é inerentemente racista, mas é frequentemente utilizado por membros do movimento racista. A cruz representa a força. Para identificá-lo como um símbolo racista, ela normalmente tem uma suástica no centro da cruz.[17]
- 5. Símbolo da Schutzstaffel (Sieg Rune): Este símbolo é visto frequentemente tatuado nos skinheads racistas. É o símbolo que era usado originalmente pela SS deHitler.[17]
- 6. Deaths Head: Este símbolo foi originalmente usado por soldados nazistas SS durante a Segunda Guerra Mundial, mas agora pode ser visto frequentemente usado pelos skinheads racistas. É também um favorito entre aqueles na cena da música white power.[17]
|
Música
Laurel Aitken ao vivo em
2000, um dos mais influentes artistas da
música jamaicana, considerando
padrinho do ska.
Alguns skinheads dos
anos 70 também gostavam de algumas bandas de
street-punk como
Sham 69 e Menace, e por fim dos
anos 70, o gênero Oi! foi aceito por muitos punks e skinheads.
[27] Musicalmente o Oi! combina elementos do
punk rock, cânticos de futebol,
pub rock e
glam rock britânico.
[28] O Oi! não é exclusivamente um gênero musical só para skinheads, pois muitas bandas incluem skins, punks e pessoas que não se encaixam em nenhuma subcultura (algumas vezes chamadas de
Herberts).
O Oi! norte-americano começou na
década de 80 com bandas como The Press, Iron Cross, The Bruisers, Anti-Heros and Forced Reality.
[29][30][31] Os skinheads da costa leste norte-americana criaram uma ligação entre a sua sub-cultura e da música
hardcore punk com bandas como
Warzone,
Agnostic Front,
Murphy's Law e
Cro-Mags. O estilo Oi! também se espalhou para outras partes do mundo, e continua sendo muito popular entre os skinheads. Mais tarde muitas bandas Oi! combinaram influências do hardcore americano dos
anos setenta com
street-punk britânico.
Embora muitos
skinheads white powers ouviam Oi!, eles também desenvolveram um gênero separado conhecido como
Rock Against Communism (RAC).
[32] A banda mais conhecida do cenário RAC foi a
Skrewdriver, que começou como uma banda de
street-punk apolítica no final dos anos 70, e algum tempo depois encerrou suas atividades, voltando no início dos anos 80 somente com o vocalista da antiga formação e com novas músicas contendo letras fazendo apologia ao
racismo e ao
neo-nazismo.
[33][34][35]O RAC começou musicalmente semelhante ao Oi! e ao
punk rock, e adotou alguns elementos do
heavy metal e outros gêneros do
rock. Outro gênero que também é ligado aos nazi-skins é o
hatecore.